desliguem-me a tv

Faz-me espécie que em todo o santo telejornal que (cada vez mais raramente) vejo apareçam reportagens de:

-jovens licenciados desempregados há mais de um ano. Eu sei que não está fácil, também sou uma jovem com formação superior que entrou para o mercado de trabalho na pior altura possível, mas há trabalho fora da nossa zona de conforto meus amigos. E eu sei que não é  fácil nem justo viver nessa condição, mas quem não está disposto a fazer um esforço para ter o que almeja, que feche o bico e nos poupe a essas cenas. Eu também não morro de amores pelo meu emprego, mas é o que tenho, e se quiser melhor que remédio tenho senão abrir caminho (geográfico ou sectorial);

– pessoas que se fazem de coitadas porque contraíram empréstimos que não podiam pagar. Nesta secção, e porque infelizmente me pisa os calos, nutro especial desdém por inquilinos que fazem contratos de arrendamento de casas acima das suas possibilidades, e depois “ai de mim que vou ser despejado, o senhorio é um cabrão e devia era sustentar a minha vida já que eu não faço por isso!”.

Ya, sou super insensível e devia era estar no lugar deles. Deal with it.

 

desliguem-me a tv

não cuspas para o ar

… senão cai-te em cima.

 

É, elas tardam mas não falham. Podemos passar anos  a apontar o dedo, a jurar a pés juntos que nunca seríamos capazes de tal coisa mas, não invariavelmente, chega a hora em que temos que dar o braço a torcer. Só estando nas situações é que podemos opinar, e mais nada.

E não, não venho dar novidade nenhuma. Venho só assumir que às vezes também me calha a mim… mea culpa.

Posso vir a morder a língua, pode correr mal, mas agora, neste exacto momento, sei que tem tudo para correr bem. E é isso que importa.

não cuspas para o ar

mais vale tarde que nunca

Quase me esquecia de dizer ao mundo virtual que, ainda que mais ou menos por acaso, participei um bocadinho na manifestação de 2 de Março. Foi pouco mas foi muito bom, diria até emocionante (no sentido triste da coisa).

Podemos ser tesos e mansos, mas em skills de fazer piadas poucos nos batem…

(ah, e é por estas e outras coisas que adoro ter um telefone que tira fotos fixes)

Praça do Comércio, Lisboa, 2 Março 2013
Praça do Comércio, Lisboa, 2 Março 2013
mais vale tarde que nunca

conta-me histórias

Há muito boa gente por aí que deveria ter lido/ouvido mais contos infantis. Não só enquanto crianças, mas mesmo agora que supostamente são adultos.

Perceberiam mais facilmente que desculpas e mentiras consecutivas podem afastar as pessoas nos tempos de verdadeira aflição, como em o Pedro e o Lobo. Entenderiam também, como Fedro nos ensina em O cão e o seu reflexo no rio*, que é melhor (e suficiente) contentar-nos com o bem que temos e deixar a vidinha dos outros em paz e sossego.

 
 
*Era uma vez um cão que encontrou um osso. Abocanhou-o e correu para casa para o saborear com calma. Pelo caminho, teve que passar por cima de uma tábua que unia as duas margens de um riacho. Nisto, olhou para baixo e viu o seu reflexo na água. Pensando que era outro cão com um osso, resolveu roubar-lho. Para o assustar, abriu a boca e arreganhou-lhe os dentes. Ao fazê-lo, o osso caiu na água e foi arrastado pela corrente.
conta-me histórias