queria ver-vos com uma enchada na mão

Nos últimos tempos deixámos de ter “treinadores de bancada” exclusivos das conversas de bola. Agora é ver as redes sociais (pelo menos a minha, shame on me) infestadas de supra summus da economia, da política, das leis, das greves… de tudo no geral. Oh! Quanto talento desperdiçado!

Estava precisamente a pensar nisto (a vomitar em pensamento, portanto) quando me deparei com este texto do Alvim, que volta e meia até é um tresloucado com alguma razão. Mas eu mandava-os cavar terra, aos comentadores profissionais e aos outros, sempre eram mais úteis que no Zoomarine. É que para entreter já chega as ignorâncias que tenho que ler a toda a hora.

Eu bem te disse
De repente parece que toda a gente sabe o que fizemos de errado e a solução certa para nos salvarmos.  De repente, Portugal tornou-se um país de economistas e credíveis gestores que em todo o lado, no arauto da sua sabedoria, nos dizem como teria sido tão mais fácil se tivessem sido eles a guiar-nos. Mas o azar persegue-nos e,  nessa altura, quando deles mais precisávamos, não tivemos essa fortuna: ou porque eles já se encontravam a comentar na tv justamente o que se encontrava errado ou ironicamente e por incrível que possa parecer a muita gente, estavam eles mesmos – eles próprios por deus! – a enganarem-se e a errarem e a fazerem tudo ao contrário do que mais tarde haveriam de dizer.  Depois de ter acontecido é muito fácil dizer “ eu bem te disse” . Depois de termos errado é óbvio que alguém dirá “eu logo vi”. Depois de termos perdido há sempre alguém que “já sabia”. E em todos eles, nos que disseram eu bem te disse, eu logo vi, eu já sabia, há uma característica comum: em nenhum caso, eles estiveram lá sem ser como meros espectadores da desgraça, sem nada fazerem para que tal acontecesse, sem nenhuma acção que a pudesse evitar antes que tal facto acontecesse.
Por isso duvido muito que já soubessem, que já tivessem visto, que já tivessem dito e nada tivessem feito para o evitar. E gostava até muito que houvesse uma máquina – tipo máquina de projecção de cenários infalíveis de futuro – onde esta gente pudesse então dizer o que faria com tanta sapiência que dizem ter e logo ali pudéssemos perceber se estávamos perante um extraordinário visionário ou um torpe e falso profeta. Como estamos no Verão e metade da população tem como principal ideia colocar os militares a limpar as matas, a minha solução para salvar Portugal é colocar todos os comentadores televisivos, de rádio e restante imprensa a trabalhar sobre o que dizem estar certo. E no caso de estarem errados, serem enviados todos – Pacheco Pereira incluído – para o zoo marine da albufeira.
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