Respect

Much love from Portugal José!

about the Trayvon Martin case)

When I was Trayvon’s age I was brutally assaulted by a white man in broad daylight walking on the street I grew up on in Minneapolis.. He provoked me verbally, then jumped out of his car as I walked past + strangled me. I was 14 actually, about to enter high school.. I was assaulted in full view of half a dozen others, all white people, who just watched. In front of my old corner store.. Including the guy who used to babysit me, who was working in the store.. He beat me + no one helped or said a word. This guy was like 3x my size + only stopped when his girlfriend said “all right! You’re bigger than him! Lets go!” Because he was choking me to death.

As I walked away in pain, in shame, helpless, my mom + her boyfriend drove past. We chased the car, got the license plate #.. We lost them on the freeway.. We filed a police report + an officer came to our house 3 hours later. The officer interviewed me, then told me it was my fault for provoking him + that I needed to “watch out” in the future.

End of story.

I love my fans but I am canceling all my shows in Florida

José James (via Facebook)

Respect

analogias

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúsio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, bêsta de nora, agùentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalépsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, emfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional,—reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta;

[…]

Uma burguesia, cívica e políticamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavra, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provêm que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro;

[…]

A Justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara a ponto de fazer dela um saca-rôlhas;

Dois partidos monárquicos, sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, na hora do desastre, de sacrificar à monarquia ou meia libra ou uma gota de sangue, vivendo ambos do mesmo utilitarismo scéptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguêm deu no parlamento,—de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar;[…]»

Guerra Junqueiro, Pátria (1896)

analogias

este dia também foi assim

«Morreu». É desta forma que a notícia nos chega. Uma única palavra que transmite todo o massacre que se avizinha nos próximos dias. «Morreu» e é preciso preparar tudo. Contactar a agência funerária. Reconhecer o corpo na morgue. Arranjar a roupa para vestir o corpo. Reunir a família com a agência funerária para discutir os últimos desejos do morto. Depois avisar a restante família e os amigos. Os conhecidos são avisados pelos anúncios que se colocam pelas ruas ou nos jornais. A notícia passa de boca em boca. Em casa é preciso procurar a roupa preta. Para mostrar ao mundo que estamos de luto. Como se uma cor reflectisse toda a nossa dor naquele momento. Não reflecte. A nossa dor é interior e não queremos receber pessoas em casa, a toda a hora, porque tudo o que mais se precisa nestes momentos é simples silêncio. «Os meus pêsames», «os meus sentimentos», «as minhas condolências», são tudo frases que muitas vezes são proferidas de forma mecânica juntamente com um aperto de mão sem se olhar para a cara da pessoa que está de luto. O caixão sai finalmente da morgue e chega à igreja. É preciso velar o corpo. É vergonhoso não estar ninguém a velar o corpo do ente querido que ainda agora partiu. E o verdadeiro massacre acontece aí. Estar numa igreja com um caixão, que tem o corpo do familiar, ali dentro, rodeado de flores, velas e por vezes de objectos que recordam o falecido até é o de menos. Ter que sentar na primeira fila de frente para esse caixão é tenebroso. O velório começa às 12h, mas é às 14h que a família toda se junta dentro da igreja. Vinte e quatro pessoas espalham-se em U à volta do caixão. «São todos da família?», questiona a primeira pessoa que contorna o caixão para cumprimentar a família enlutada. Os apertos de mão sucedem-se, os beijos na cara de pessoas que não conhecemos sucedem-se também, os abraços dos amigos chegados aconchegam um pouco, mas não podem ser demorados porque a pessoa que está atrás desse amigo quer ir sentar-se rapidamente para assistir à missa e depois poder ir à sua vida. Até que de repente surge aquele amigo de sempre, que conhece como ninguém a relação que tinhas com o morto, e cai-se num choro compulsivo que se aguentou a tarde toda. A restante família desaba, mas há sempre um ou outro familiar que não deita uma lágrima. As beatas comentam. «Por Deus nosso Senhor, nem uma lágrima deitou». O padre chega. Reza-se pela alma do ente querido. Benzemo-nos e temos de voltar a pensar. São precisos seis homens para carregar o caixão. É preciso pensar em quem. Mas antes disso há que respeitar o luto. A família quer despedir-se uma última vez daquele que durante anos marcou a sua vida. E as pessoas que assistiram à cerimónia não arredam pé. Querem ver quem chora, quem desmaia, quem toca no caixão, quem aguenta o familiar mais afectado ao longo da nave da igreja para que este não caia de joelhos frente a toda aquela gente. A família sai. O caixão sai carregado por seis homens da família que sustêm as lágrimas até ao cemitério. Lá fazem-se as últimas orações e o agente funerário pergunta se pode encaminhar o caixão para a campa. Os seis homens voltam a pegar no caixão. A partir daqui apoiam-se nos familiares mais próximos para ninguém desabar. Ouve-se choro por todo o cemitério. Quem o ouve do lado de fora dos muros brancos talvez pense que há carpideiras presentes. Não há. Graças a Deus. «Posso mandar tapar?», pergunta o agente funerário ao familiar responsável pelo corpo. «Pode.» A primeira pá de terra é atirada. E de repente a família começa a ficar sozinha. «Precisam de alguma coisa?», pergunta um ou outro amigo ou conhecido, muitas vezes com esperança que a resposta seja não. «Não», responde o familiar inquirido. O luto só começa agora, de verdade. A dor da notícia que se recebeu dias antes aparece de repente. O «morreu» volta a fazer eco na cabeça. O luto só começa agora. A morte do nosso ente querido começa agora. O sofrimento atroz começa agora. E não há uma igreja cheia de conhecidos para amparar-nos. Só os verdadeiros amigos aparecem. Só esses se preocupam connosco, em saber se verdadeiramente precisamos de alguma coisa, mais que não seja oferecendo um colo ou um ombro para chorarmos. Custou, mas sobrevivemos ao funeral. Sobreviveremos agora à morte do nosso ente querido?

Por Andreia Miranda, in Papel

8/6/2009. E a luta continua.

este dia também foi assim

ajudar é fácil e não custa nada

Colabore na investigação do cancro do ovário

 
É fácil e não lhe custa nada.
Necessita apenas de preencher um pequeno questionário sobre esta doença. 
Muito simples. 
No final já está a ajudar.

A Roche Farmacêutica irá doar 1 €, por cada questionário preenchido, a favor de uma Bolsa de Investigação, criada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e o Grupo Português de Estudos do Cancro do Ovário (GPECO). Este prémio visa incentivar jovens cientistas a fazerem investigação na área do Cancro do Ovário, uma doença que é a 7ª causa de morte no sexo feminino. Em Portugal todos os anos há cerca de 500 novos casos de mulheres diagnosticadas com esta patologia.

Ajude na luta contra o Cancro do Ovário.

Participe nesta iniciativa e divulgue-a junto dos seus amigos!
ajudar é fácil e não custa nada

real beauty

Por factores genéticos e/ou sociais, é certo e sabido que grande parte do mulherio é duramente crítico no que diz respeito à sua figura.

Keeping this in mind, a Dove teve uma ideia muito engraçada e fez uma experiência neste mini documentário onde um artista forense do FBI desenhou retratos baseados na auto-descrição das participantes e, posteriormente, baseados na opinião de outras pessoas. A conclusão é  óbvia 🙂

real beauty

poupem-me os jantares histérico-temáticos e homens ken de tanga

«Não precisamos desta merda.

Não precisamos de paternalismos. Não precisamos de ramos de flores. Nâo precisamos que nos ofereçam cafés. Não precisamos de discriminação positiva. Não precisamos de almoços especiais em restaurantes. Não precisamos de ursinhos de peluche. Não precisamos de um dia especial. Precisamos de que todos os dias sejamos respeitadas por aquilo que fazemos. Precisamos de não ter de trabalhar mais para sermos reconhecidas. Precisamos de ganhar o mesmo ordenado que qualquer outra pessoa que faça o mesmo que nós. Precisamos de não morrer às mãos dos nossos namorados e maridos. Precisamos de não ter de tomar conta dos filhos sozinhos. Precisamos de não ter todas as responsabilidades de gestão do lar a nosso cargo. Precisamos de não ser abandonadas no meio da rua sem nada após uma vida de dedicação exclusiva aos filhos e ao marido. Precisamos de poder andar na rua com a roupa que nos apetecer sem sermos agredidas verbal ou até fisicamente. Precisamos de ter a liberdade para estudar, conduzir e trabalhar. Precisamos de ter a liberdade de sair de casa sempre que quisermos. Precisamos que não nos matem à nascença por causa do nosso género. Precisamos de não ouvir constantemente as mesmas piadas estereotipadas e absurdas. Precisamos de aparecer em livros e filmes como personagens complexas e não como meros adereços. Precisamos de que valorizem o trabalho que fazemos em casa e que ninguém vê. Precisamos de não ser insultadas porque dizemos que não ou temos opiniões assertivas. Precisamos de não ser chamadas de fúteis e superficiais por tudo e por nada. Precisamos que não partam sempre do princípio que resolvemos tudo, que tratamos de tudo, que temos tudo sempre sobre controlo. Precisamos de não nos tratem como criadas dispostas a tudo. Precisamos de não ser sempre consideradas como o elo mais fraco. Precisamos que nos deixem expressar as nossas opiniões. Precisamos de ter acesso às mesmas condições e oportunidades de trabalho. Precisamos de ser retratadas nos media de forma justa. Precisamos de respeito todos os dias do ano. Não precisamos desta merda.»

poupem-me os jantares histérico-temáticos e homens ken de tanga

nós, os de 80

(…)

Somos, então, apelidados de mimados apesar de pagarmos a nossa saúde, não termos direito a crédito para habitação e de não sabermos se teremos reformas no futuro. Somos eternamente “garotos” mesmo que mais velhos do que a idade com que outros, outrora, tomavam grandes decisões. E ouvimos, hora após hora, dia após dia, que somos muito novos para sabermos do que falamos, mesmo quando os argumentos, a justificação e a razão estão do nosso lado. Somos excluídos das decisões, mesmo quando os problemas exigem soluções inovadoras, nunca antes testadas nem sequer pensadas. Recusamos fazer parte de um jogo de soluções aquecidas, frases feitas e demagogia sem alcance.

Esta é a geração que nega a formalidade cívica e democrática, que multiplica as vozes informais nas redes sociais, mas que é incapaz de ter formalmente voz.

O que quero (e acredito que queremos) não é um emprego para a vida, mas um emprego que permita começar uma vida. Não queremos uma habitação adquirida mas sim a liberdade de adquirir (ou arrendar) uma habitação. Queremos ter filhos com a dignidade e a cabeça erguida e não dependendo da ajuda dos avós. (…)

João Pita

 http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/6921/geracao-de-80

Não há muito mais a acrescentar.

nós, os de 80