mini love letter

Amo-te tanto que às vezes quase me apetece chorar. Chorar de alegria, a maior parte das vezes é assim. Mas há dias em que a felicidade de te ter é tão grande como o medo da ínfima possibilidade de que alguma vez assim não seja.

Acho que não te agradeço vezes suficientes por teres entrado na minha vida e lhe teres dado uma volta de 180º, por seres o melhor companheiro, por teres insistido 103923 vezes, e por gostares de mim assim, destrambelhada como sou, todos os dias (os bons e os maus).

Amo-te, ouviste?

mini love letter

carta de pré-despedida

Não sei se o demonstrei ou não, talvez não da maneira mais certa, mas estas últimas semanas têm sido uma agonia para mim. Sabes como eu sou, dou sempre a parte forte até à última, mas a verdade é que me sinto a ficar sem chão por saber que vais embora,e a fugir para lamber as feridas.

Eu sei que é o melhor para ti, tem mesmo que ser e também por isso não quis dar parte fraca até agora, para não te demover da ideia. E também sei que não é para sempre. Mas tu e eu sabemos, já passámos o suficiente, para saber que a merda da vida acontece e que muitas vezes nos foge do controlo. Eu espero, e quero fazer por isso, que continuemos a ser a excepção à regra.  Mas nesta hora em que, mais uma vez,  és a mais corajosa eu sinto-me a cair por terra e a não conseguir dar-te o último “empurrão” que precisas. Desculpa.

Eu sei que vai correr tudo bem, tens um mundo de concretização e coisas boas à tua espera e já deste  o suficiente para receberes o paraíso em troca. E de resto… Espero que os deuses dos smartphones  evoluam o suficiente para colmatar os kms de terra e mar que vão ficar entre nós.

Porque tu és a minha amiga-irmã e uma parte de mim está, e vai estar,  sempre contigo.

carta de pré-despedida

Isaura de Jesus

A minha bisavó tem um nome simples, que facilmente se associaria a uma qualquer personagem famosa, e uma personalidade que também não fica atrás. Simples, mas incomparável.

A minha bisavó faz hoje 98 anos e, apesar de quase surda,  está completamente lúcida. Fala muito alto e adora cantar. É super curiosa. Consegue saber a vida que levam todos os filhos, netos e bisnetos (não fiz bem as contas, mas todos juntos somos mais que 30), e mais umas dezenas de pessoas das redondezas.

A minha bisavó já viu morrer dois maridos e dois filhos, já adoeceu gravemente várias vezes, não sabe ler nem escrever, e pelos cuidados que agora inspira vive num lar de 3ª idade. Ainda assim é possivelmente a pessoa mais bem disposta que eu conheço, e eu visito-a sempre que posso.

A minha bisavó, desde que a conheço, não acredita em más intenções e parece-me que sempre foi pessoa de perdão fácil. Quando visito a minha bisavó percebo que as boas pessoas, as que não guardam rancores nem esperam sempre a próxima facada nas costas, vivem mais anos e são mais felizes.

Talvez o segredo da longevidade seja não esperar demasiado na vida.

Porque as homenagens fazem mais sentido enquanto andamos neste mundo, Parabéns avó do lenço!

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Isaura de Jesus

conta-me histórias

Há muito boa gente por aí que deveria ter lido/ouvido mais contos infantis. Não só enquanto crianças, mas mesmo agora que supostamente são adultos.

Perceberiam mais facilmente que desculpas e mentiras consecutivas podem afastar as pessoas nos tempos de verdadeira aflição, como em o Pedro e o Lobo. Entenderiam também, como Fedro nos ensina em O cão e o seu reflexo no rio*, que é melhor (e suficiente) contentar-nos com o bem que temos e deixar a vidinha dos outros em paz e sossego.

 
 
*Era uma vez um cão que encontrou um osso. Abocanhou-o e correu para casa para o saborear com calma. Pelo caminho, teve que passar por cima de uma tábua que unia as duas margens de um riacho. Nisto, olhou para baixo e viu o seu reflexo na água. Pensando que era outro cão com um osso, resolveu roubar-lho. Para o assustar, abriu a boca e arreganhou-lhe os dentes. Ao fazê-lo, o osso caiu na água e foi arrastado pela corrente.
conta-me histórias

a caixinha de música

Na viagem pelas primeiras memórias que tenho nossas lembrei-me da tua caixinha de música. Perdi a conta às vezes que, sob o teu olhar atento, lhe dei corda para ver a bailarina deslizar no espelho… Parecia magia, e aquele momento enchia-nos o coração!

Agora já não acredito em magia, e quem precisa de um olhar atento és tu. É pena não não poder dar corda ao tempo… Gostava de voltar atrás para te lembrar da caixinha de música, de que o melhor da vida é simples e não tem preço e, acima de tudo,  de que eu vou gostar sempre muito de ti.

 

a caixinha de música