o outro lado da morte

Ninguém nos ensina  a estarmos preparados para, de um dia para o outro, aprendermos a viver sem uma pessoa que é um alicerce na nossa vida. É daquelas coisas que cada um tem que aprender por si, uns sozinhos, outros com medicamentos e psicoterapias, outros sabe Deus como… Depois de chorar, espernear e desesperar eventualmente voltamos a pôr-nos em pé e seguimos em frente. Ninguém nos ensina, ninguém está preparado, mas sei que já todos ouviram falar.

O que ninguém ensina e poucos sabem é que a morte tem um lado B. Não sei como é nos outros países, mas por cá gostam de nos atirar isso à cara, principalmente quando já estamos em pé. E não, não estou a falar das carpideiras e falsos beatos, que apontam o dedo a quem não veste preto, a quem não vai ao cemitério no dia marcado no calendário e quem não gasta rios de dinheiro em flores que duram meio dia, tudo em prol do amor ao morto – ou será amor ao que (acham eles) que fica bem?!

O outro lado de que aqui falo hoje inclui o nosso serviço de finanças, registos e companhias limitadas.  As heranças, onde muitos ignorantes pensam ver qualquer tipo de conforto, não passam de um fardo bem pesado para quem cá fica. Nisto das heranças diz que somos todos iguais, pagamos todos por igual, trimilionários ou desempregados, pelo que efectivamente herdámos, e pelo que não sabemos sequer se existe, porque só temos o dever de pagar, e não o direito de saber o quê. Nem sequer temos o direito de não querer ter coisas. Obrigam-nos a revisitar o passado, a viver tudo outra vez, como que a dor que carregamos não fosse já suficiente.  E todos os anos nos pedem contas novas.

Isto é só um desabafo, com este texto não espero compreensão.  Sei que visto de fora isto parece ridículo e sem cabimento (acreditem, não é).

A vida tirou-me o meu pai e eu tento arrumar as  gavetas interiores como posso. Mas o outro lado da morte leva o que resta das minhas forças (e conta bancária, já agora).

Mas afinal de contas o que é que isto tudo interessa? Neste país a preocupação maior é um sr da FIFA que chamou de nomes o Ronaldo.

o outro lado da morte

agora sou eu

Agora que a rebaldaria de Agosto já passou, que o pessoal já voltou a queixar-se  das segunda-feiras e a desbocar-se em TGIFs,  chega a minha vez de ir dar ao chinelo por aí fora durante duas semaninhas!

Sendo que na primeira semana me cabe a tarefa de mostrar o nosso jardim murcho à beira-mal plantado a duas amigas Húngaras, queiram por favor dizer-me o que se mostra aos estrangeiros em Lisboa e em Coimbra, tirando as turistices básicas, assim coisas giras e diferentes, que eu não conheço esses sítios muito bem.

Depois do vá para fora cá dentro, é vez de ir passar férias à pobre na zona dos ricos, que é como quem diz aproveitar os vôos para Marselha a 50€, pernoitar em casa de familiares e cravar-lhes o carro e apanhar sol mediterrânico na moleirinha. Côte d’Azur, on y va!

le-soleil-toute

Contem comigo para ir metendo nojo entretanto.

E sim, obviamente que vou voltar mais cansada do que fui, mas isso agora não interessa nada.

agora sou eu

O dia em que eu fiz um post fashion

Se o mundo deixa sair à rua pessoas que vestem leggings com camisolas curtas (estou tão farta de ver pipis e rabos alheios), que usam unhas tuning e têm capas de telemóvel com berloques e orelhas de coelho, porque não poderia eu perder a cabeça e arranjar umas sapatilhas cheias de purpurinas?

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(Não sei enfiar atacadores e ainda os aperto como ensinam no jardim de infância)

O dia em que eu fiz um post fashion

em agosto isto é uma seca

Já me enoja fotos de  bolas de berlim,  pernas besuntadas de azeite marca branca num areal qualquer,  comidas e bebidas que toda a gente come e bebe, pessoas que usam leggings com partes de cima curtas.

Retribuo então com fotos da minha gata, que tem para vosotros tanto interesse como essas cenas todas para mim, e que cresceu comó caraças neste dois meses.

Foto de perfil
Retrato
Alerta laranja, gafanhoto à retaguarda
Alerta laranja, gafanhoto à retaguarda
'Tás a olhar para o meu prato por acaso?
‘Tás a olhar para o meu prato por acaso?
Yoko pede mimo no terraço do seu T1+1
Yoko pede mimo no terraço do seu T1+1
em agosto isto é uma seca